crítica trípticos
As composições apresentadas exploram de maneira sensível e precisa os efeitos gráficos produzidos pela luz, pela matéria e pelas formas abstratas. Na primeira série, composta por estruturas de papel recortado e curvado, a artista cria um ambiente visual quase escultórico. As tiras se entrelaçam e se sobrepõem, formando um conjunto de curvas que se movimentam no espaço. A iluminação lateral acentua essas tridimensionalidades, projetando sombras complexas que ampliam a sensação de profundidade. O uso do preto e branco reforça o caráter gráfico das imagens, destacando nuances de cinza que evitam tanto o excesso de luz quanto a perda de detalhe nos tons mais escuros. Embora não haja um grid explícito, a repetição rítmica das curvas e a presença de diagonais sugerem uma estrutura compositiva interna que confere equilíbrio dinâmico aos quadros, guiando o olhar por caminhos fluidos.
Na segunda série, realizada com vidro, a pesquisa visual se desloca do espaço físico das formas para um campo mais óptico e sensorial. O copo funciona simultaneamente como objeto e como lente, distorcendo a luz e criando reflexos circulares que se tornam o foco da composição. Aqui, o contraste é mais marcado do que na série anterior: a luminosidade intensa gerada pela refração do vidro se opõe a sombras densas, produzindo uma paleta de valores mais dramática. As formas concêntricas e espiraladas criam um movimento centrípeto que puxa o olhar para o centro da imagem, estabelecendo um equilíbrio mais estático, mas igualmente tenso. O grid implícito passa a ser radial, estruturado por círculos e vazios que se repetem de forma quase hipnótica.
Comentários
Postar um comentário